Durante os dez anos que João Guimarães Rosa viveu em Cordisburgo, o Brasil, assim como o resto do mundo, enfrentava as novidades das duas primeiras décadas do século XX. A primeira Guerra Mundial, iniciada em 1914, e a Revolução de 1917, que fez da Rússia o país pioneiro na implantação de uma sociedade socialista, foram os dois acontecimentos marcantes de um momento em que o capitalismo, especialmente o americano, iniciava uma fase de espetacular ascensão. Entre 1938 e 1942, João Guimarães Rosa registrou as impressões de um diplomata brasileiro na Alemanha nazista. Em 1942, a Força Aérea Britânica bombardeou Hamburgo, na Alemanha. O ataque começou na noite de 24 de julho. O escritor registrou sua passagem por Hamburgo, anotando tanto as notícias sobre a cidade como outros informes de seu cotidiano: alarmes constantes de bombas; impressões pessoais sobre leituras; registro de saídas e visitas aos amigos; recortes, em alemão, de fatos sobre a guerra; anotações para futuros textos literários; desenhos de lugares e de pessoas; listas em alemão de nomes da flora, etc.

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