quarta-feira, 29 de junho de 2016

O CORVO DA DESDITA

Encontramos este termo na leitura da crônica de guerra "A velha" de Guimarães Rosa. 

Trata-se de uma metáfora em relação a morte. Mas não significa que o corvo seja um 

símbolo da morte. 

Desdita tem como significado infortúnio, infelicidade, má sorte, ausência. No inverno 

muitos pássaros morriam. No contexto da Segunda Guerra Mundial, a desdita tem como 

emblema a swástika, que estava em todo canto. Ao invés de a águia (símbolo Alemão) 

estar dentro do círculo era a swástika que se apresentava em todos os cantos, nos 

uniformes militares, nas faixas, nas bandeiras, nos carros de guerra etc., causando 

infortúnio aos habitantes daquele lugar.  

As velhas encontram-se estafermáticas,  ou seja, estavam paradas, amedrontadas, sem 

saber o que fazer mediante os  rumores da guerra que se aproximava. Elas queriam um 

salvador. A mais velha chama o cônsul que se encontra na embaixada brasileira 

(Alemanha/Hamburgo) conta a história dela, na verdade revela um segredo guardado há 

anos. Suplica que ele faça alguma coisa por sua filha, que também já está velha  mas  ele 

nada podia fazer. Era tarde demais.

O corvo da desdita assombrava gerações em todos os aspectos. Hoje, podemos saber por 

meio da mídia o quanto a humanidade  está estafermática, por causa dos conflitos 

políticos, econômicos, sociais, religiosos que fazem um muro de separação entre as 

classes sociais, gerando infortúnio, infelicidade, má sorte, ausência, fome, guerra, 

desemprego e morte que a cada minuto assombra a vida das pessoas.


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