quarta-feira, 29 de junho de 2016

TRIVIANDO CONVERSA

Lembrando um personagem da Crônica de Guerra "O mau humor de Wotan" de Guimarães Rosa. 

Hans-Helmut – do alemão para o português – João. Em hebraico, significa agraciado por Deus, indicando uma pessoa que possui nobreza de caráter. Helmut significa alegre proteção. Hans-Helmut era manso, calmo, pacífico. O coração de Hans-Helmut não dava o menor pouso à guerra. Pela postura filosófica, era um homem que não compactuava com as ideias que levariam o homem a continuar praticando os atos mais irracionais que se pudesse imaginar. Tinha preferência pelo que aparentava jovialidade, alegria, leveza. Transpirava as delícias do mundo, o vinho, a paisagem, o amor, a paz. No final da crônica O mau humor de Wotan, o cronista escreveu, a respeito de Hans Helmut: Ninguém fale, porém, que ele mais não existe, nem que seja inútil hipótese sua concepção do destino e da vida. Ou que um dia não venham a ser “bem-aventurados os mansos, porque eles herda­rão a terra”. (Ave, Palavra. Crônica O mau humor de Wotan, p.33)

A terra, o continente europeu, segundo o cronista, hispida de espaventos, ou seja, áspera, com grande aparato para impressionar ou causar assombro, apresenta a humanidade macerada, mortificada, abatida, desgostosa, aflita, angustiada. Podemos perceber esses adjetivos representados em Márion Madsen, esposa de Helmut, pois ela sofre todos esses pesares quando o esposo é enviado para o front. Era o tempo do Natal, momento da gravidez e do nascimento do bebe do casal, todavia, Márion, em curto espaço de tempo não veria mais o esposo. Conforme palavras de Guimarães Rosa, consul adjunto  que vivia tempos difíceis na Alemanha/Hamburgo, era o século de invernia de auteridade, em que se deparavam homens severos nas maneiras ou nas aparências, e esses comportamento é representado nas atitudes do capitão K  e do Dr. Schwartz, caracterizados na crônica como homens sem grão de alma.
Recordando e refletindo o contexto histórico representado nas crônicas de guerra de Guimarães Rosa, o que vemos? Impérios se levantando e caindo. Revoluções e contrarrevoluções. Riquezas acumuladas e riquezas desperdiçadas. Shakespeare falou sobre a ascensão e queda dos grandes, que vão e voltam como a Lua. Um louco austríaco anunciar ao mundo a criação de um Reich alemão que duraria mil anos.  A América mais rica e com mais poder militar do que o resto do mundo junto. Se os Estados Unidos tivessem desejado, ele poderiam ter superado César ou Alexandre em suas conquistas. Hitler e Mussolini estão mortos, lembrados apenas com infâmia. Stalin é um nome proibido no regime que ele ajudou a fundar e dominar cerca de três décadas. A América  assombrada pelo medo do término do precioso óleo que faz as estradas barulhentas. Tudo levado pelo vento!

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